O Sucesso na Aeração de Grãos Armazenados

Atualizado: Jan 28

No Brasil, maiores produções agrícolas, particularmente de grãos, têm sido alcançadas como resultado do desenvolvimento e da implementação de tecnologias avançadas. No entanto, é essencial que o armazenamento e a manutenção da qualidade dos grãos sejam solidificados pelo desenvolvimento de práticas efetivas de armazenagem, a fim de minimizar as perdas pós-colheita.


No que se refere ao armazenamento, muito tem sido feito no sentido de redução das perdas e conservação adequada dos produtos agrícolas, pois qualquer modificação na qualidade ou disponibilidade dos alimentos é imediatamente sentida pela população, com repercussões socioeconômicas. Porém, apesar da crescente evolução de técnicas adequadas, o setor de armazenagem do país ainda não conseguiu encontrar condições para reduzir, a níveis aceitáveis, as suas perdas agrícolas.

A massa de grãos armazenada é um ecossistema em que a deterioração é o resultado da interação entre variáveis físicas (teor de água dos grãos, temperatura e umidade relativa do ar intergranular, propriedades físicas da massa de grãos, estrutura da unidade armazenadora, variáveis meteorológicas); variáveis químicas (disponibilidade de oxigênio no ar intergranular) e variáveis biológicas (longevidade, respiração, fungos, leveduras, bactérias, insetos).


O segredo para a conservação da qualidade dos grãos durante a armazenagem consiste em mantê-los limpos, secos e sob baixas temperaturas, pois temperaturas menores diminuem as atividades biológicas no ecossistema dos grãos e previnem contra migração de umidade. Acréscimos na temperatura do ar intergranular e, ou no teor de água do grão, poderá propiciar desequilíbrios nas variáveis biológicas do sistema, resultando em perdas totais ou parciais da massa de grãos.


A fim de preservar a qualidade dos grãos armazenados por longos períodos, sugere-se o uso da técnica de aeração, que consiste na passagem forçada de ar, com fluxo adequado, através da massa de grãos, com o objetivo de resfriar e uniformizar a temperatura da massa de grãos; prevenir focos de aquecimento e umedecimento de origens biológicas; promover secagem dentro de certos limites e; renovar o ar contido no espaço intergranular.

Os recentes avanços tecnológicos no monitoramento e controle das condições de armazenamento (hardware e software) estão ajudando a armazenar grãos com segurança, com perda mínima de qualidade. Porém, sem a utilização de um sistema de aeração automatizado bem projetado e conduzido corretamente, a armazenagem segura e efetiva durante períodos prolongados torna-se impraticável. Os critérios estabelecidos devem ser baseados, principalmente, na temperatura e umidade relativa do ar intergranular, no teor de água dos grãos e nas condições psicrométricas do ar ambiente.


Variáveis como temperatura e umidade relativa do ar ambiente podem ser advindas de estações meteorológicas instaladas em locais adequados. Para medir e monitorar a temperatura em diversos pontos da massa intergranular, utiliza-se sensores de temperatura. Os sensores mais adequados são os que possuem saídas elétricas na forma de sinais digitais, pois possibilitam a sua conexão a um sistema de controle eletrônico digital, baseado na aquisição de dados em tempo real. Os dados de temperatura fornecidos pelos sensores são conectados a um painel dotado de instrumento de medição. Com auxílio da tecnologia wireless (sem fio), os dados coletados são transferidos a uma central computadorizada.


Além disso, é imprescindível analisar o teor de água de equilíbrio dos grãos, dada sua natureza higroscópica. Se o ar estiver com umidade relativa acima da recomendada, o teor de água do grão poderá aumentar, levando ao incremento do seu metabolismo e ao desenvolvimento da microbiota associada aos grãos. Por outro lado, se a umidade relativa do ar estiver baixa, o teor de água do produto pode ser reduzido, o que gera transtornos quanto ao preço da carga no momento da comercialização, devido ao desconto de umidade durante o período de armazenagem.


Nesse sentido, baseado na leitura das variáveis climáticas, na temperatura fornecida pelos sensores, no teor de água de equilíbrio dos grãos e na estratégia de manejo escolhida, o sistema de aeração automatizado decide o momento adequado para acionar os ventiladores. Comparado ao monitoramento manual, a tecnologia automatizada da aeração tem gerado significativos avanços na pós-colheita de grãos, pois permite rapidez na tomada de decisões, confiabilidade dos dados coletados, menor risco de erros ocasionados pelo operador, assessoria remota para análise dos sistemas e economia de energia. Seguramente, este pacote tecnológico garante o sucesso na condução da aeração, durante um período no qual os grãos podem ser armazenados sem perda significativa da sua qualidade e quantidade.



Juliana Soares Zeymer

Engenheira Agrônoma, Pesquisadora na Área de Armazenamento e Processamento de Grãos.


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